Opinião – O estado atual e o futuro dos consoles!

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A E3 aconteceu semana passada, com diversos jogos sendo mostrados e… nenhum hardware? Nenhuma das empresas mostraram novidades em seus consoles ou melhorias gráficas e afins, focando completamente em seus jogos. Até mesmo a conferência da PC Gamer teve somente uma peça de hardware, num notebook gamer. Focar em jogos é ótimo, não me leve a mal, mas o que isso diz sobre o futuro da Microsoft, Sony e Nintendo?

Vamos falar um pouco de vendas: Atualmente a Sony detém a maioria de vendas nos consoles, com o seu PS4 vendendo cerca de 79.5 milhões de cópias no mundo, mais que o dobro do XBox One e seus 37.5 milhões. O Nintendo Switch vem logo atrás com 17.4 milhões, mas com a ressalva que tanto o PS4 quanto o Xbox One foram lançados em 2013, e o Switch só chegou no mercado em 2017, com sua vida útil só no começo, enquanto seus concorrentes, teoricamente, estão no meio/fim das suas.

Digo teoricamente porque tanto a Sony quanto a Microsoft lançaram “updates” para seus consoles, na forma do PS4 Pro e do Xbox One X, melhorando a capacidade gráfica, resolução e potência geral dos seus antecessores. Essa é a primeira vez que um update assim é feito em uma geração de consoles, de maneira a aumentar sua vida e mante-lo competitivo em comparação com seus concorrentes.
Num geral, a vida útil de uma geração de consoles é de 6 anos – três a quatro anos de vida útil, começando “fraco”, até o completo conhecimento e uso das suas capacidades, um ano de “fim de vida”, com jogos usando todo o poder gráfico do console enquanto um novo já está sendo anunciado, e mais um último ano convivendo junto com o seu sucessor, lentamente sendo substituído por um hardware melhor.

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Algumas coisas que deram sobrevida aos consoles anteriores foram seus jogos únicos e a falta de retrocompatibilidade dos consoles atuais, fazendo com que muitos jogassem ainda em seus Playstations 2/Xbox jogos que não estavam disponíveis nos novos – e caros – consoles.
Com a tecnologia atual, boa parte do acervo de jogos está acessível para ambos os sistemas, da Microsoft principalmente, tirando a necessidade de se ter/usar um console de uma geração passada, em sua grande maioria. O fato que um console “Novo” foi lançado recentemente para somente atualizar a geração atual mostra que tanto a Microsoft quanto a Sony não esperam criar um Playstation/XBox novo até, quem sabe, o final de 2019/2020.

E isso é uma coisa boa ou ruim?

Para a Sony é algo ótimo. Ela está “ganhando” a corrida dos consoles, em vendas e em jogos exclusivos, já tem uns bons anos, e só terá que administrar o mercado até o lançamento do seu novo console, que terá o caminho já pavimentado e seguro para um novo sucesso – caso não haja nenhum erro ou problema forte pela parte de marketing ou no próprio hardware.
Os problemas da Sony tem sido nos investimentos errôneos na área de mobile e afins, com o PSP e PS Vita ficando sempre em segundo plano – com o Vita provavelmente sendo descontinuado nos anos que estão por vir – e a Sony focando exclusivamente no seu console e na tecnologia de realidade virtual.

Já para a Microsoft é um pouquinho mais complicado, e o motivo pode ser resumido em duas letras: PC.

Xbox_E32018HERO-heroDiferente da Sony, a Microsoft briga em dois fronts – e consigo mesma em ambos. Os jogos que tem sido lançados com exclusividade para o Xbox One também tem sido lançados nos PCs, e uma boa parcela dos jogadores preferem comprar os jogos para seus computadores, pelo simples fato de ser uma plataforma mais robusta e com mais opções, inclusive de jogos que são exclusivos da Sony, como Street Fighter V e outros. O Xbox One X é, tecnicamente, mais poderoso que o PS4 Pro, mas ambos continuam abaixo do PC, que canibaliza o mercado do seu console-irmão. Jogos que antes só saíam no Xbox estão começando a aparecer na Steam/Windows Store/Origin e afins, diminuindo a necessidade de se ter um console, principalmente um Xbox.

Uma solução que foi tentada – e já descartada no XBox One X – era o Kinect e sua habilidade de realidade aumentada. A possibilidade de melhora atual é o foco na retrocompatibilidade – que ainda segura diversos títulos como exclusivos do Xbox – e títulos sendo lançados prioritariamente para o console, para manter seu público sempre abastecido com jogos bons antes dos outros; Ser melhor que o PS4 Pro já ajuda nessa parte da guerra. Ter maior facilidade entre cross-play (algo que a Sony se recusa veementemente em fazer, infelizmente) e cross-save também é algo que mantém o Xbox relevante e uma ótima escolha, mantendo a simbiose do PC-Xbox.

Agora vem a terceira parte, e a mais complicada – a Nintendo.

Dois números muitos importante aqui são: 72 milhões e Zero. O primeiro é o número de 3DS vendidos pela Nintendo desde quando o console foi lançado, e o segundo são quantos jogos foram anunciados para o sistema nessa E3. Com toda a portabilidade, facilidade para jogos multiplayers com seus joy-cons, conexão com a internet e com smartphones, o Switch deve engolir o mercado do seu irmão menor em breve, sendo o principal foco de jogos num geral – tanto de jogos “para casa” quando para coisas mobiles – da Nintendo.

O Switch, e boa parte dos consoles da Big N, não briga diretamente com a Microsoft e Sony, não sendo uma concorrente no quesito gráfico ou de potência, mas focando em dois quesitos muito importantes – Exclusividade e portabilidade.

E3_Nintendo_1A Nintendo é conhecida por seus grandes nomes nos jogos, abrindo raríssimas oportunidades para outras empresas utilizarem nomes e/ou personagens seus em jogos de terceiros (como por exemplo o Mario + Rabbids, da Ubisoft), e mesmo quando isso acontece, esses jogos não saem fora dos seus domínios – Por isso você não vai ver um Mario, Zelda ou Pokémon sendo lançado para os PCs ou algo assim, por exemplo. Isso criou uma fanbase muito forte e uma marca igualmente forte e importante, que se mantém sem maiores problemas externos.

O maior problema da Nintendo é a própria Nintendo. Em basicamente toda a sua história, a Nintendo nunca repetiu um tipo de mídia e/ou controle entre uma geração de consoles e outra, o que significa que, caso você queira jogar qualquer coisa de um console novo que eles lançarem, você terá que comprar tudo do zero, ignorando os jogos/hardware que você já possui. Isso sempre foi feito e chega a ser uma marca registrada da Nintendo, mas agora as coisas estão chegando no ponto de o Switch estar substituindo até o 3DS, com sua portabilidade fácil e hardware melhor. O último jogo anunciado para o 3DS foi Sushi Striker, que também saiu para o Switch. Depois disso, temos mais três jogos anunciados até o fim do ano para ele, enquanto o Switch tem mais de 50.

Com isso, o futuro do 3DS fica completamente as escuras e incerto. Teremos um update no seu hardware com um novo “3DS Ultra Plus” ou qualquer coisa do tipo, ou ele será silenciosamente substituído pelo Switch e, talvez, por jogos simples de smartphones (como Pokémon GO) como plataforma única da Nintendo? Por se tratar da Nintendo, ambas as possibilidades são possíveis, mas caso o 3DS saia de cena, isso pode abrir espaço para novos consoles tentarem ter sucesso nesse espaço.

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A Nintendo está num momento de transição de consoles e criação, liberando novidades aos poucos, por isso não dá para prever muito o que eles podem ou devem fazer, mas o ideal seria ou admitir logo que o 3DS será uma plataforma extinta ou definir seu apoio a ele com jogos e melhorias em breve. Fora isso, arrumar um jeito de comunicação que não dependa exclusivamente de celulares e conexões bizarras para o Switch também ajudaria.

E o que devemos esperar disso tudo?

Os consoles estão num momento estranho, com uma transição sendo esperada, mas escondida dos olhos do público. Em 2019 devemos, muito provavelmente, ter alguma novidade pesada vinda de uma das empresas no quesito hardware – tanto a Sony quanto a Microsoft estão numa corrida própria onde nenhuma das duas quer dar o braço a torcer primeiro, e vão pegar tudo o que podem dos seus PS4 Pro e Xbox One X até que uma ou a outra anuncie que está trabalhando num console novo. Até lá, os jogos exclusivos que serão lançados devem utilizar toda a potência possível para mostrar que não são só os PCs que tem bons jogos.

Já a Nintendo deve continuar anunciando novos jogos para o Switch, trazendo de volta grandes nomes como Metroid e Pokémon. Uma jogada que daria muito certo seria uma abertura maior para desenvolvedores indies e outros grandes nomes, para que o console não fique estagnado com os mesmos nomes de sempre e fique relegado somente à “aquele console pra jogar quando vou viajar” ou o “console para jogar Pokémon”, mas isso é um pedido difícil.

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Infelizmente (ou felizmente, dependendo do seu ponto de vista) o mercado tem se movido lentamente para o abismo que é uma possível erradicação dos consoles terceirizados, com o PC tomando grandes proporções a cada ano que passa. Jogos exclusivos tem cada vez mais ganho versões para PC, e a facilidade e custo relativamente baixo para modificar um computador para se manter atualizado também mantém essa força. Os principais campeonatos de eSports são feitos em PCs por questões básicas de conexões, controles e que os principais jogos da categoria são primariamente de PC, com exceção dos jogos de luta e esportes, que também não são ainda muito grandes nas competições com prêmios em dinheiro e isso, queira ou não, pesa para as empresas e seu marketing. Caso as empresas não façam nada relevante e que mostre aos jovens indecisos que ter um ou outro console vale a pena, sua morte é inevitável – Talvez não ano que vem ou no próximo, mas em algum momento num futuro não muito distante.

A frase “PC Master Race” é muito usada como chacota, mas estamos caminhando cada vez mais para um futuro onde ela é verdadeira. Pelo menos a Nintendo ainda está ali para nos dar uma dose de jogos verdadeiramente exclusivos, mas que muitas vezes pecam na falta de profundidade.

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TL;DR – Consoles estão cada vez menos relevantes como hardware e precisam fazer algo para inovar, seja com jogos, seja com alguma tecnologia exclusiva. All Hail PC Master Race.

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Autor: Red Team Ver todas as postagens de
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