Sobre: Música e os Video Games!

video game music title

Olá! Hoje trago uma matéria especial sobre a junção da música com os jogos e sua importância na cultura atual!

A música sempre foi um fator importante na sociedade e evoluiu junto com ela; desde grandes orquestras tocando para reis e cortes, indo para o rádio e depois para a TV, fazendo seu sucesso no cinema e musicais e, quando o primeiro video game chegou, ela veio junto, na forma de 8 Bits.

No começo, os sons eram completamente rudimentares, e esboços de músicas podiam ser escutados, mas a falta de tecnologia e memória nos consoles da época impossibilitava qualquer coisa que não fossem barulhos ou som algum. Mas a partir de mais ou menos 1975 as empresas começaram a usar um chip específico que transformava impulsos elétricos vindos de linhas de código em ondas sonoras analógicas na hora, fazendo o som sair pelas caixas. Os efeitos sonoros também eram feitos dessa maneira. Um exemplo disso é o bom e velho Frogger, da Atari.

Infelizmente esse som ainda era completamente monofônico, repetitivo ou usado somente na troca de fases ou começo do jogo (como em Pac-Man). O primeiro jogo a ter uma ‘música’ tocando enquanto o jogo acontecia foi o arcade Space Invaders, de 1978, que continha uma linha de quatro notas de baixo tocadas repetidamente enquanto o jogo rodava e aumentava de velocidade a medida que os inimigos desciam.

Já o primeiro jogo a conter uma melodia de fundo foi o Rally X, lançado pela Namco em 1980.

A decisão de incluir uma música num jogo significava que um programador teria que transcrever a mesma para um código no jogo – tendo experiência com música ou não –  e a capacidade para se ter sons específicos era bem limitada. O Atari 2600, por exemplo, podia gerar apenas dois tons, ou notas, por vez.

Com os avanços rápidos da tecnologia, e a baixa nos custos dos componentes eletrônicos, os consoles e os arcades começaram uma nova era (A terceira geração de games) e, junto com ela, novas tecnologias para a música nos mesmos. Novos chips de sons permitiam muitos novos tons, ou “canais de som” – as vezes oito ou mais. Um dos exemplos mais antigos disso é o jogo Carnival, um arcade da Sega de 1980, que utilizava sua nova tecnologia para fazer uma versão de 8bits da música “Over the Waves”.

Na metade para o final dos anos 80, os softwares lançados para as novas plataformas (entre elas o famoso NES) fez com que pessoas com maior experiência em música começassem a trabalhar na criação das trilhas para os jogos e a qualidade das músicas aumentou um bocado e é notada até hoje, tendo criado um impacto bem grande na indústria, começando aí uma nova era de trilhas sonoras de jogos.

Alguns nomes de compositores ficaram famosos nesta época – Nobuo Uematsu (‘Final Fantasy’), Koji Kondo (‘Super Mario Bros’, ‘The Legend of Zelda’), Miki Higashino (‘Gradius’, ‘Teenage Mutant Ninja Turtles’), Hirokazu Tanaka (‘Metroid’, ‘Kid Icarus’, ‘Earthbound’), Yuzo Koshiro (‘Streets of Rage’, ‘Shinobi’). No final dos anos 80, músicas de jogos eram vendidas em fitas cassete no Japão, inspirando companhias norte-americanas a darem mais importância para este mercado. Tanto que em 1986, a premiação “Golden Joystick Award” (Criada em 1983 e que existe até hoje) introduziu a categoria “Melhor Trilha Sonora”, que foi ganha pelo jogo Sanxion.

Mais mudanças vieram junto com o SNES, que possuía um chip especial da Sony, que permitia oito canais de sons sampleados de até 16bits de resolução e alguns efeitos bem bacanas, entre ele som “Full Stereo”. Isso permitiu algumas experimentações, como acústica musical (Em jogos como “Super Castlevania IV“, “Final Fantasy IV” e “F-Zero“), direcional (“Star Fox“, por exemplo) assim como sons ambientes e acústicas de arquiteturas (sons de dentro de prédios e etc). O único problema desse poderoso chip era seu alto uso de memória.

Os outros consoles da época (Mega Drive e o Neo-Geo) tinham sistemas de som similares, mas não tão bons (ou tão baratos, no caso do Neo-Geo) quanto o SNES.

gen16

E então veio a quinta geração de games, e com ela veio o Playstation, em 1994. Ele suportava 24 canais de samples de 16bits, com cada sample tendo a qualidade de som de um CD e também suportava mais alguns tipos novos de efeitos, como reverberação. Depois, em 1996, o Nintendo 64 foi lançado, mas por utilizar fitas, seus samples tinham um pouco menos de qualidade que o seu concorrente, devido ao alto uso de memória.

Mas uma das melhores coisas que a quinta geração trouxe foi a opção dos jogos terem suas músicas como “streaming”. Ou seja: a música era pré-gravada e depois tocada quando necessário fosse. Isso permitia aos desenvolvedores colocarem músicas quando quisessem e ainda acessar outras partes do CD sem pausar a música.

Além disso, os compositores agora tinham muito mais liberdade para criar suas músicas, já que agora eles não precisavam saber de programação ou da “arquitetura” do jogo. Isso abriu as portas para que músicos mais famosos pudessem dar sua contribuição para jogos, como no horrível não tão bom  jogo “Way of the Warrior” para 3DO que possui músicas do White Zombie e no “Quake” original, que teve a trilha composta pelo Nine Inch Nails.

Outra aproximação para essa novidade foi a possibilidade de pegar o direito autoral de músicas que não foram feitas para o jogo em si e utiliza-las, como por exemplo nos jogos da série “Tony Hawk Pro Skater” e “Gran Turismo” - Outras vezes uma mistura dos dois era feita, como nos jogos da série “Dance Dance Revolution”, que utiliza tanto músicas “de fora” quanto exclusivas para o jogo. E daí em diante, a evolução da música dos jogos aumentou drasticamente conforme a capacidade de memória dos consoles foi aumentando, assim como seu processamento e melhoria de som (como por exemplo Dolby Digital e, mais recentemente, Dolby TrueHD) e também com jogos rítmicos como “Guitar Hero” e “Rockband” (e seus predecessores, os jogos de dança, como o já citado “Dance Dance Revolution”), que capitalizaram na ideia de que a música é o jogo.

Guitar Hero

Desde o SNES, as músicas nos jogos tem um fator muito importante, trazendo emoções que muitas vezes o gameplay e/ou a história não podem passar, ou simplesmente dando aquela animada em jogos de corrida/ação/luta. É, muitas vezes, impossível comentar de algum jogo que você realmente gosta sem falar de sua música, criando uma nova área de entretenimento, com eventos e bandas que tocam somente músicas de video games, como o Video Games Live, evento internacional que reúne uma orquestra e efeitos de vídeo para tocar as grandes músicas de jogos, a banda The Black Mages, famosa por tocar versões de músicas da série Final Fantasy e assim por diante! O video game é uma arte que assimilou, e modificou, magnificamente outra arte – a música.

E conforme o mundo dos jogos evoluí e se transforma, a sua música também o faz, seguindo com grandes orquestras para jogos épicos ou com sons minimalistas em jogos indies e pixelados Alguns jogos como “Crypt of the Necrodancer” foram lançados e utilizam a música de maneira completamente entrelaçada com o gameplay, já que você deve utilizar a batida da música para se mover e atacar. São raros os jogos onde a música, atualmente, não tem uma qualidade boa ou não tem a mesma prioridade que os outros elementos presentes no próprio jogo, seja por questões técnicas ou por outros motivos; Counter Strike, por exemplo, não é um jogo que prima por sua música, já que é importante você poder escutar a aproximação de inimigos e comandos de voz – A música está lá, mas é algo ‘passável’ – e isso normalmente é verdade para uma boa parte dos jogos de tiro e multiplayer.

Para concluir, segue uma lista pessoal de algumas ótimas músicas de jogos, sem nenhuma ordem específica. Como essa lista é, repito, pessoal, muita coisa vai ficar de fora e muita gente vai descordar dela, mas vamos lá. Outra coisa importante é que só teremos músicas originais presentes na lista (então nada de Guitar Hero, Tony Hawk e afins).

Composta por Koji Kondo em 1985, é um clássico dos clássicos. Acredito que todo mundo que jogou video game uma vez na vida conheça essa música, nem que seja atualmente no Super Mario Maker e afins. Segundo o seu criador, essa foi a música que mais demorou a ser feita para o jogo, já que se ele não gostasse do encaixe dela com os movimentos do Mario ou com a ação em geral, ele a descartava e começava de novo do zero, usando somente um pequeno teclado.

Também composta pelo Koji Kondo, mas em 1998. Escolher uma música só de Zelda é muito complicado. Muito mesmo. Todas as composições da série são magníficas e eu poderia fazer uma postagem falando só delas, mas vamos ficar com essa por hoje.

Composta em 1997 pela Michiru Yamane, responsável por toda a trilha sonora de Symphony of the Night, que possui uma orquestração sensacional. Você pode dançar mentalmente essa música no salão de baile do Drácula sem preocupações. Assim como muitas outras trilhas famosas, Symphony of the Night foi lançado depois como um CD separado só com as músicas, para os fãs. Em 2007 foi até lançada no iTunes.

Composta por Yoko Shimomura, em 1999, e ela é somente considerada uma das compositoras mais famosa do mundo. Ela compôs as músicas de Kingdom Hearts e Street Fighter II, por exemplo, mas eu tenho um carinho especial por Legend of Mana, principalmente pela sua música de batalha frenética, misturando instrumentos clássicos com guitarras e bateria.

Composta por Masato Nakamura em 1992, a trilha de Sonic é um dos melhores exemplos da utilização máxima dos componentes da época. Como um grande fã da série, até hoje eu lembro de cada fase assim que a música dela começa a tocar, e acho essa música um grande exemplo de como fazer um lugar tenso, como uma caverna, ficar “animado” sem deixar de ser sombrio.

Composta por Norihiko Hibino (Com vocais de Cynthia Harrell) em 2004.  Essa música  tem todos os elementos de uma música de um filme do 007 e caiu muito bem no jogo. E quem não se lembra da infame escadaria praticamente sem fim do jogo, quando essa música começa a tocar ‘a capella’?

Composta por Masami Ueda, Shusaku Uchiyama e Syun Nishigaki em 1998. Resident Evil foi um marco nos jogos de terror tanto pela narrativa e jogabilidade quanto pela trilha sonora. Ela faz você pensar que algo está errado, que alguma coisa vai pular em você a qualquer momento. Fazia você ficar atento a qualquer barulhinho que fosse. Assustador e muito bom.

Composta por Junichi Masuda em 1996, e nem tenho muito o que falar sobre essa música. Ela foi, e ainda é, o começo de uma jornada, e mesmo com todas as limitações sonoras do Game Boy, as músicas de Pokemon são tão boas e icônicas que, mesmo com gerações novas, muitas das músicas são re-utilizadas atualmente só com melhorias de áudio/instrumentação.

Gerard Marino compôs em 2007 essa épica trilha sonora, que acompanha um jogo igualmente épico. Essa música poderia estar muito bem em qualquer filme sucesso de bilheteria em Hollywood e daria tão certo quanto deu aqui. God of War tem uma trilha sonora que se encaixa perfeitamente com o jogo, mesmo com toda a destruição que você causa – ou principalmente com toda a destruição.

Composta por Nobuo Uematsu em 1994, como trilha do vilão Kefka em Final Fantasy VI. Sim, colocando uma música de Final Fantasy VI e não One Winged Angel manjadona, já que essa aqui é, tecnicamente, uma das primeiras músicas tema para um vilão num jogo, e ela é sensacional, com diversas linhas e que passam um pouco do poder do vilão.

Composta em 2011 por Darren Korb, a trilha sonora de Bastion está entre as mais legais dos últimos tempos, se unindo com maestria ao jogo, tanto nos momentos de ação quanto nos de emoção (vide “Build That Wall”). Korb seguiu a mesma linha depois em Transistor, mantendo o mesmo alto nível.

Mick Gordon compôs a trilha do novo Killer Instinct, em 2013, e conseguiu fazer algo que é bem complicado – dar caráter, espaço e peso para músicas num jogo de luta. Esses jogos, por natureza, não tem um foco tão grande na sua trilha sonora salvo algumas exceções, e Killer Instinct é uma delas. A trilha é tão variada quanto seus personagens, indo desde esse metal pesado até partes completamente orquestradas ou eletrônicas.

O “novato” Toby Fox compôs a trilha para Undertale em 2015, tendo lançado antes disso músicas para Homestuck também. Undertale tem músicas muito memoráveis, e que muitas vezes não se levam a sério, assim como o jogo, mas que em outras (como o caso de Megalovania) são bem serious business, e encaixam de maneira primorosa nele, com toda a vibe oldschool do jogo, mas com arranjos e instrumentação ótima e limpa.

Eu poderia ficar o resto do dia listando músicas aqui pra vocês, mas por hoje é só. As músicas continuarão a evoluir junto com os jogos para tentar passar emoções e ânimo aos jogadores, ou para se misturarem com a ação de maneira desapercebida em alguns casos, mas o importante é saber que elas são uma parte essencial dos jogos modernos.

Até a próxima!

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Myspace
  • Google Buzz
  • Reddit
  • Stumnleupon
  • Delicious
  • Digg
  • Technorati
Autor: Red Team Ver todas as postagens de
Escritor, redator, pesquisador, tradutor, jogador e falador no geral. Trazendo notícias e informações que você não sabia, e nem achava que precisava saber, sempre que possível.